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"Vinho Verde aposta nos millenials para crescer no maior mercado do mundo "
Notícia in Dinheiro VivoPartilhar de 01-07-2017 12:00:00
autor(es): Ilídia Pinto


As empresas portuguesas querem tirar partido da avidez dos millenials pelo que é novo e desconhecido.
Os Estados Unidos são o maior mercado de vinho do mundo, com um consumo superior a 31 milhões de hectolitros ao ano, e são, também, um dos maiores importadores mundiais. Portugal exporta quase 75 milhões de euros (só 13,7 milhões são de Vinho Verde), mas não entra sequer no ranking dos maiores exportadores para o país.

A cultura do vinho começa a apaixonar os jovens americanos, interessados em conhecer novos países, culturas e gastronomias e vinhos. Ingredientes que a Comissão dos Vinhos Verdes juntou em Brooklyn, Nova Iorque, onde mais de 600 pessoas pagaram 45 dólares para provar e conhecer o Vinho Verde. Um sucesso que esgotou ali vários vinhos verdes. “Nunca tinha ouvido falar de vinhos portugueses. Soube deste evento pelo facebook e achei que o preço era interessante para passar a tarde a provar Vinho Verde neste cenário fabuloso e a aprender mais sobre os vinhos. E está a ser fantástico”, afirmou ao Dinheiro Vivo, em Brooklyn, Odalis Brito, jovem nova-iorquina a trabalhar em publicidade. E os vinhos? “São ótimos. Tirei fotos às garrafas para procurar nas garrafeiras”, diz. “Os millenials são os que estão a fazer crescer o mercado. E eles querem coisas novas, não querem o típico Chardonnay da Califórnia que os seus pais bebem. E são esses que conseguem ver o valor dos vinhos portugueses, que têm uma excelente relação de qualidade/preço.

Há um longo caminho a percorrer, mas as pessoas estão curiosas e estão a gostar muito do que provam. E a imprensa especializada adora os vinhos portugueses”, defende Blanche Orbe, responsável da Wine in Motion, importadora e distribuidora de vinhos em Nova Iorque e New Jersey. Victor Schwartz, proprietário da Wines of Excellence, importa vinhos de todo o mundo. Os nacionais representam “uma gota no oceano” das vendas da empresa, admite, mas estão a crescer: “Os vinhos portugueses evoluíram muito e há mais abertura por parte do consumidor para os provar. O nosso foco tem sido sempre os restaurantes.

Quando penso num vinho penso logo como o vou combinar, com que tipo de gastronomia, e há cada vez mais sommeliers a reconhecer a unicidade e as potencialidades dos vinhos portugueses. Há que fazer cada vez mais e melhores provas em todo o país”. Já Jesse Salazar, diretor da cadeia de retalho Union Square Wines, acredita que a resposta está no turismo. “A nossa aposta tem sido na ‘educação’ do consumidor. Quanto mais souber da origem dos vinhos, das regiões, das castas, mais fácil é entender o produto e querer conhecer o país. E há cada vez mais americanos a visitar Portugal e que, depois de irem ao Minho, ao Douro, à Madeira, vão estar disponíveis para os pagar melhor”, sublinha, acrescentando: “Não basta que apreciem os vinhos portugueses, é preciso ajudar a contar a sua história, as origens e também a cultura.

Quanto mais pessoas o souberem, maior valor acrescentado terão os vinhos portugueses e mais populares se tornarão”. Opresidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), assume ter sido surpreendido pelo sucesso do Vinho Verde Wine Experience – a versão americana do Vinho Verde Wine Fest que decorre, todos os anos, no final de julho, na Alfândega do Porto, e que recebe mais de 25 mil visitantes ao longo de vários dias -, em Brooklyn. Dois dias antes do evento já todos os bilhetes estavam vendidos – e custavam 45 dólares cada, qualquer coisa como 39 euros – e, no dia, perante casa cheia, vários foram os produtores que deram à prova todo o vinho que levavam. “Estamos muito satisfeitos, foi um um evento surpreendente. Conseguimos reunir, em Brooklyn, uma casa cheia de jovens, com uma cultura urbana e cosmopolita, que não conhecem bem Portugal, mas estão interessados em saber mais sobre Vinho Verde. Claramente, temos o Vinho Verde a ganhar uma presença horizontal na multiculturalidade americana e isso é que é importante”, diz Manuel Pinheiro. Que assume que a expectativa, agora, quanto ao futuro é perceber como é que este interesse se vai traduzir num acréscimo de vendas.

Foram 21 os produtores que marcaram presença nesta primeira prova direcionada especificamente para o consumidor final. E Manuel Pinheiro reconhece que o sucesso deste ano “acarreta uma responsabilidade maior para o futuro”. A ideia é evoluir dentro do mesmo modelo. E sem por de parte a realização de um evento similar noutros estados, como a Califórnia, a CVRVV assume que há, ainda, muito para fazer em Nova Iorque. “É uma região muito aberta aos vinhos de fora e nós não passamos de um pequeno fornecedor, o potencial de crescimento é enorme.

Este ano, como era a primeira vez, fomos prudentes e fizemos a prova a ocupar só um dia, mas as nossas expectativas foram em muito ultrapassadas e partimos com reforçada confiança. Não sabemos ainda bem se, para o ano, fazemos este evento alargado a dois dias ou se optamos por um dia apenas mas num espaço maior. Vamos ver. Acreditamos é que faz sentido agregar outras iniciativas, como ações de formação a distribuidores e retalhistas”, defende. Da parte dos produtores, a satisfação é, também, grande. “Foi um sucesso, estamos no caminho certo. Os eventos de vinho estão na moda e as principais revistas da especialidade deixaram de olhar para o Vinho Verde como vinhos menores. A notoriedade está a ser construída e, à medida que mais produtores ganham o respeitos dos críticos, está, também, a ser criada a credibilidade”, diz André Estácio Pinto, da Agrimota, empresa que detém a marca de vinhos Casa da Calçada. Com uma produção anual na ordem dos 400 mil litros, 40% dos quais são exportados para países como os EUA, Alemanha, Holanda e Brasil, os vinhos Casa da Calçada pretendem mais do que triplicar as suas vendas atuais nos EUA, atingindo, em cinco anos, 350 mil litros.

O mercado americano é o segundo maior destino das exportações da Quinta da Raza, a seguir à Alemanha, país onde a empresa está presente há oito anos e conta já com cinco importadores regionais, abarcando os estados de Nova Iorque, Califórnia, Minesota, Maryland, Massachusetts, New Jersey, Oregan e Washington. Representa, atualmente, cerca de 15% das vendas da empresa de Celorico de Basto mas Mafalda Teixeira Coelho, responsável comercial da marca, assume que o objetivo, a cinco anos, é que os Estados Unidos assegurem um quarto das vendas da Quinta da Raza. “Esse é o nosso grande objetivo e queremos fazê-lo com os nossos vinhos premium“, diz.

Na prova de Brooklyn, Mafalda encontrou enófilos de todo o tipo, desde os que nunca tinham provado vinhos portugueses, aos que sabiam o que é o Vinho Verde e as suas diversas castas. “Havia de tudo um pouco, mas a questão é que eram pessoas que pagaram para aqui estar e que queriam muito aprender e compreender o Vinho Verde, a sua história e origens”, garante. Os vinhos Casal de Ventozela estão disponíveis em Nova Iorque e New Jersey, com o mercado americano a valer 10% das exportações da empresa. Mas, o objetivo é duplicar esta presença no espaço de cinco anos, alargando a presença da marca aos estados da Califórnia, Oregon, Washington, Texas, Minnesota, Florida e North e South Carolina.

“O consumidor que apareceu no evento já tinha alguma informação sobre os Vinhos Verdes, o que foi bastante positivo, e vinha com vontade de conhecer novas variedades e novos estilos de vinhos que têm surgido nos últimos anos”, destaca André Miranda. Que lamenta, apenas, a “reduzida mobilização dos críticos gastronómicos, jornalistas locais, bloggers e sommeliers “, considerando que uma ação específica para os profissionais da área teria ajudado a que o evento tivesse “muito mais impacto no comércio local e na divulgação” da marca Vinho Verde.

Crescer 15% no mercado americano é o objetivo dos vinhos Encosta do Xisto, uma marca com uma produção anual da ordem das 100 mil garrafas. Os EUA representam 40% das vendas, mas António Pinto, responsável comercial da marca, está confiante no crescimento, não apenas por via do volume mas, sobretudo, pelo alargamento da oferta, designadamente disponibilizando ao consumidor a gama completa de vinhos Encosta do Xisto. “A esmagadora maioria dos consumidores que aqui estiveram não sabiam nada de Portugal ou de Vinho Verde, mas ficaram fascinados com os vinhos. O que é excelente”, diz António Pinto, que lembra que “Portugal está na moda, em termos turísticos, e que já que tirar partido disso”.

Menos ambiciosa no crescimento é a AB Valley Wines, mas a verdade é que a marca está, ainda, a dar os primeiros passos no mercado: a empresa nasceu em 2016, numa parceria entre o enólogo António Sousa e o winelover Bernardo Lencastre. “Estamos apostados num crescimento sustentável e queremos, nos próximos cinco anos, crescer entre 2,5% a 5% ao ano. O mercado americano está a mudar e o consumidor está a mudar, a tornar-se mais exigente.

E isso pode ser uma oportunidade para os Vinhos Verdes emergirem e concorrerem a par com os vinhos oriundos do novo mundo, como os dos Chile, Austrália ou Nova Zelândia, entre outros”, diz o diretor comercial da AB VAlley Wines. Rui Pires ficou muito satisfeito com o evento em Brooklyn: “Foi a primeira vez que apresentamos a nossa marca ao público americano e a recepção superou as nossas expectativas.

O feedback relativamente ao vinho e ao labelling foi extremamente positivo, o que nos deixa bastante esperançosos quanto ao futuro”.

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